Poemas Inéditos e Avulsos

Soneto XXXI

"Que posso eu amar senão o enigma?" (Nietzsche)

Bem tolo, amor, é quem te compra em drágeas
ou, ainda pior, dulcíssima emulsão,
pensando que és, amor, a cura mágica
do humano mal, divina salvação.

Ingênuo, amor, é quem pretende
permanecer distante, estar a salvo,
seguir dietas, evitar ambientes
insalubres, manter-se vacinado.

Que coisa eu posso amar, senão o enigma,
que quanto mais me é estranho, mais fascina?
Que posso amar, senão o enigma e nada

além, buscar no outro o que me falta,
sabendo nele amar o imprevisível,
amor que a nós faz cada vez mais livres?

* Publicado em RITER, Caio (org.) O Espaço entre o Branco. Porto Alegre, Sintrajufe-RS, 2016.

Álvaro Santi
03/01/2016

 

 


BIOGRAFIA | COMPRAR | POESIAS | PROSA | MÚSICA | BIBLIOGRAFIA | VÍDEOS | MURAL | LINKS | CONTATOS
site da Rede Artistas Gaúchos