Poemas Inéditos e Avulsos

No banco, entre poetas de bronze (2012)

Eis-me outra vez nessa praça,
em repouso, sob a sombra.
Só que em vez de milho às pombas,
eu jogo ao vento metáforas.

Não é praça como as outras:
é pra onde migram os livros
e à caça deles, pessoas
que apreciam descobri-los.

Nem o banco é um qualquer:
entre pipoqueiro e banca,
entre Drummond e Quintana,
só não senta quem não quer.

Pergunta o Mário, chumbado:
“- Como passarinharei?
Se pelo menos alguém
me oferecesse um cigarro...”

Logo Drummond retruca:
“- Palavras já não me afrontam,
agora a mais vã das lutas
é pra espantar as pombas.”

(E afinal é bom não ser de bronze...)

* Originalmente escrito sob encomenda e publicado no jornal Zero Hora de 31/10/2012. Posteriormente adicionei as estrofes 4 e 5.

Álvaro Santi
31/10/2012

 

 


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